Resenha
Passarinha
Autor: Kathryn Erskine
Editora: Valentina
Páginas: 224

Sinopse:
No mundo de Caitlin, tudo é preto e branco. Qualquer coisa entre um e outro dá uma baita sensação de recreio no estômago e a obriga a fazer bicho de pelúcia. É isso que seu irmão, Devon, sempre tentou explicar às pessoas. Mas agora, depois do dia em que a vida desmoronou, seu pai, devastado, chora muito sem saber ao certo como lidar com isso. Ela quer ajudar o pai – a si mesma e todos a sua volta –, mas, sendo uma menina de dez anos de idade, autista, portadora da Síndrome de Asperger, ela não sabe como captar o sentido. Caitlin, que não gosta de olhar para a pessoa nem que invadam seu espaço pessoal, se volta, então, para os livros e dicionários, que considera fáceis por estarem repletos de fatos, preto no branco. Após ler a definição da palavra desfecho, tem certeza de que é exatamente disso que ela e seu pai precisam. E Caitlin está determinada a consegui-lo. Seguindo o conselho do irmão, ela decide trabalhar nisso, o que a leva a descobrir que nem tudo é realmente preto e branco, afinal, o mundo é cheio de cores, confuso mas belo. Um livro sobre compreender uns aos outros, repleto de empatia, com um desfecho comovente e encantador que levará o leitor às lágrimas e dará aos jovens um precioso vislumbre do mundo todo especial dessa menina extraordinária.
Passarinha parece voar diretamente para o nosso cantinho interior das emoções e lá no fundo construir seu ninho.
"Eca! ele grita. Você é igual a um cachorro! Babando na manga toda!Paro de chupar o punho da blusa embora eu não saiba por que ele disse Eca. Mas gosto de cachorros. Eles sentam perto da gente e deitam a cabeça no nosso colo. Os cachorros são doces e amorosos. Fico feliz se as pessoas acham que sou um cachorro."
É com passagens como essa que Caitlin nos conta sua história e sua maneira de pensar, simples e genial. Ela tem a Sindrome de Aspergen e, por conta disso, enfrenta grandes dificuldades para se relacionar com as outras pessoas. Quem sempre a ajudou nessa difícil batalha de integração com o mundo externo foi seu irmão mais velho Devon, que agora não poderá dar novos conselhos a ela. Devon fora assassinado na escola por um colega atirador que matou outras duas pessoas, uma tragédia que abalou não apenas as famílias das vítimas; refletiu em todos os habitantes dessa pequena comunidade.
Sem o irmão e a mãe, falecida há tempos, Caitlin tem agora para ajudá-la nos desafios apenas seu pai, muito abalado com os fatos, e a conselheira da escola, Sra. Brooks, tentando ensiná-la um pouco sobre as interações humanas, algo tão natural para quase todos, mas tão caro à menina. Apesar de não gostar muito do recreio (que vira sinônimo de coisas negativas, como "sensação de recreio no estômago"), é durante o recreio que ela conhece Michael, um menino mais novo cuja mãe também foi uma vítima do atentado.
Após descobrir o significado da palavra Desfecho, ela percebe que ela e seu pai precisam de um. E também Michael. Mas como?
Gostaria de prestar minha singela homenagem a quem traduziu esse livro para o português. Sei o quanto é difícil traduzir certas expressões e guardar o teor das mesmas, e esse livro se baseia nessas sutilezas e jogos de palavras para torná-lo tão único. Mas a pessoa que realizou esse trabalho o fez com maestria. Se esse livro é ótimo assim em português, não consigo imaginar sua qualidade em inglês. Gostaria muito de lê-lo na língua original e espero um dia consegui-lo.
Certamente esse livro me surpreendeu, emocionou e (nada mais justo) entrou na minha lista de preferidos da seção Book Rank. Afinal, seu único ponto negativo é que ele uma hora chega ao fim.
NOTA DELE:
Olá! Primeira vez minha aqui no blog rs
ResponderExcluirGostei bst da resenha. Estou louca para ler este livro. Gosto quando o autor - de uma maneira bem feita - mostra a nós como seria a visão de uma pessoa "diferente" das demais. Assim como em O menino do pijama listrado, John Boyne conseguiu me emocionar muito com seu protagonista de oito anos, acredito que Erskine também me emocionará.
Bjos.
Olá!!!
ExcluirSim, exatamente... Acho dificil o autor conseguir captar e transmitir uma visão diferente, na maioria das vezes soa meio forçado. Mas tanto em Passarinha, como em O Menino do Pijama Listrado, que também já li, o autor consegue esse feito.
Em Passarinha, a maneira como é escrito parece mesmo uma criança narrando, e mais, uma criança com uma doença como a dela.
O livro é mesmo emocionante, e não a toa virou um dos meus favoritos.
Leia sim, garanto q não irá se arrepender.
Beijoss